
Como é bom ter um Deus que se preocupa com as multidões. Para muitos, a multidão é somente um aglomerado de pessoas desconhecidas, que não nos revela nada nem nos desperta piedade. Mas Cristo olhava para um número infinito de pessoas e via cada uma delas: cada sofrimento, cada pessoa que desejava uma vida melhor, que clamava pelas bênçãos do alto e queria viver de modo mais pleno. Pensar na multidão como um grupo composto de diversas realidades é algo amável.
As pessoas que enchem as ruas e vão e vêm sem nada nos dizer não devem ser indiferentes para nós. Temos que observá-las: como andam agitadas, muitas vezes sem se darem ao luxo de olhar para o lado, mas seguindo em frente como se cada segundo fosse um tempo que não se pode deixar passar sem fazer algo produtivo.
As multidões devem nos revelar algo. Devemos parar e olhar para elas, vendo nelas o reflexo do nosso próprio rosto. Quantas vezes estamos assim: apenas andando com pressa, sem tempo de parar e dar um bom-dia àqueles que sentimos que também têm um bom-dia para nos dar. A multidão nos revela como está este mundo, que corre e corre, mas não tem uma meta de chegada.





